O dia 25 de maio parece um tanto marcante para a Ferrari. Em 2026, um novo modelo marca uma nova era: Luce é o primeiro elétrico da fabricante de Maranello. Em 1947, um Ferrari 125 S cruzou a linha de chegada primeiro no Gran Premio di Roma — foi a estreia vitoriosa da marca nas pistas. Setenta e nove anos depois, a Ferrari voltou à cidade para anunciar que está começando de novo. Ou pelo menos tentando.
Mas o que os fatos têm a ver? Ambos marcam uma nova era para a italiana do cavallino rampante. O Luce — "luz", em italiano — é diferente de tudo que saiu de Maranello até hoje. Quatro portas, cinco lugares e motor elétrico. Se você acha que isso é o suficiente para causar polêmica... Basta olhar o visual: que vai fazer muita gente coçar a cabeça antes de reconhecer a marca da italiana no capô.

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Como ele é, afinal?
Do lado de fora, o Luce aposta em uma forma que lembra uma gota d'água em movimento. A carroceria é organizada em torno de uma grande cúpula de vidro no centro — onde ficam os passageiros — com asas aerodinâmicas dianteira e traseira em alumínio envolvendo tudo. As portas traseiras abrem ao contrário do convencional. Não é um carro que passa despercebido, mas também não grita da mesma forma que um Ferrari de dois lugares normalmente faz.
Por dentro, a história é igualmente incomum. O painel rejeita a mania atual de telas gigantes. No lugar disso, botões físicos, alumínio usinado, couro — e uma organização que coloca o motorista no centro de tudo, quase como num cockpit de avião. Quem projetou esse interior foi Jony Ive, o mesmo designer responsável pelo iPhone e pelos produtos mais reconhecíveis da Apple.
"Aerodinâmica é tudo quando se projeta um carro elétrico. O coeficiente de arrasto é absolutamente crítico."
— Marc Newson, designer, ao Dezeen
Jony Ive desenhando um Ferrari: como isso aconteceu?
A Ferrari chamou o estúdio LoveFrom — fundado por Ive e pelo designer australiano Marc Newson — há cinco anos para trabalhar no Luce. A parceria durou todo o projeto, da primeira linha até os detalhes finais de acabamento. Foram 60 patentes registradas ao longo do processo.
Para quem acompanha o mercado de design, é uma combinação improvável. Ive construiu reputação criando objetos minimalistas, leves, quase abstratos. Ferrari faz carros que gritam velocidade e potência. O Luce tenta encontrar algum ponto entre esses dois mundos — e o resultado é, no mínimo, difícil de ignorar.

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E os números?
Quatro motores elétricos independentes somam 1.050 cv. O Luce vai de zero a 100 km/h em 2,5 segundos e chega a 310 km/h. A bateria de 122 kWh — desenvolvida em Maranello, não comprada de fornecedor — promete mais de 530 km de alcance. A carga rápida aceita até 350 kW, o que coloca o tanque cheio em poucos minutos numa estação adequada.
O coeficiente aerodinâmico é de 0,254 — o mais baixo de qualquer carro que a Ferrari já produziu. Marc Newson disse em entrevista que a aerodinâmica ditou cada decisão de forma durante o projeto. É o tipo de restrição que, paradoxalmente, tende a gerar os designs mais interessantes.
Números do Ferrari Luce
Quatro motores elétricos, tração integral
1.050 cv de potência combinada
0–100 km/h em 2,5 segundos
310 km/h de velocidade máxima
Bateria de 122 kWh, desenvolvida em Maranello
Autonomia estimada acima de 530 km
Carga rápida de até 350 kW
Quatro portas, cinco lugares
Coeficiente aerodinâmico: 0,254
Design: Centro Stile Ferrari + LoveFrom
Produção: Maranello, Itália, a partir de 2026
É uma virada para a Ferrari?
Depende do ponto de vista. A marca deixou claro que não está abandonando motores a combustão nem híbridos. O Luce é uma adição à linha, não uma substituição de algo. A Ferrari continua fazendo o que sempre fez — só que agora também faz coisas como a Luce.
O que muda, de verdade, é o tipo de público que um carro como esse pode alcançar. Cinco lugares, quatro portas e zero emissões ampliam o leque de quem pode considerar um Ferrari no dia a dia — sem abrir mão dos números que definem a marca nas pistas.
A Ferrari também assumiu um compromisso de longo prazo com o Luce: peças e componentes elétricos — incluindo a bateria — terão suporte garantido por toda a vida útil do carro. Para quem pensa em valores de revenda e colecionismo, esse detalhe importa mais do que parece.
Preço e quando chega ao Brasil
A produção começa em Maranello ainda em 2026. Valores oficiais para o mercado brasileiro ainda não foram divulgados, mas ainda não há estimativas de preço. As listas de espera, como de costume, devem começar antes mesmo de qualquer confirmação oficial.


