A Fiat anunciou o nome da versão nacional do italiano Grande Panda: será Argo X, como reportamos aqui. A marca sugere dar “continuidade” a um de seus maiores sucessos comerciais no País, uma crítica antiga feita à sua estratégia de nomenclaturas, com o abandono de nomes fortes como Tempra, Stilo ou Punto – aqui, também reflexo do que é feito pela empresa lá fora. Justificativas à parte, porém, o que esta decisão nos permite constatar é a falta de criatividade que vem assolando boa parte (para não dizer a maioria) das montadoras, em nível global.
Peguemos como exemplo a própria novidade: por que não apenas “Argo”, deixando o atual, que conviverá com o novo, com um batismo diferente, como a própria Fiat fez no passado com “Palio Fire”? Aliás, o próprio Argo poderia ter se mantido como “Palio” no mercado nacional, ainda que o antigo batismo tenha sofrido certo desgaste pela segunda geração não tão caristmática. Vá lá, que se mantenha então a nomenclatura do hatch: acrescentar somente um “X”, que comumente é relacionado a versões aventureiras/SUVs, seria o suficiente para diferenciá-los tanto assim?
A justificativa para que o nome original, Grande Panda, fosse descartado no Brasil é sua “insignificância” para o mercado nacional, sem ter a tradição que possui na Europa. Vá lá que são momentos – e diretorias – diferentes, mas no passado essa lógica não se aplicou ao Grande Punto, aqui vendido como Punto e não Palio X (ou qualquer outra letra genérica adicional).
Será que um batismo próprio, como os vários marcantes já adotados pela Fiat, não ficaria melhor? Para quem já criou Toro, Strada e Pulse (e “importou” Idea, Punto e Bravo), Argo X me parece simplório demais. E pra você?
Argo X: o exemplo vem do mercado
Apesar do mais recente representante desta “nova lógica” ser o Argo X, observam-se casos semelhantes em todo o mundo. Deixando um pouco de lado as já óbvias combinações de letras e números que algumas marcas chinesas “impuseram” (no sentido figurado, claro), há casos como o da Toyota, que criou derivações SUVs de carros de sucesso e adicionou aos nomes originais a palavra “Cross”. Ainda que a intenção seja também torná-los uma família, a justificativa de compartilhamento das arquiteturas perde um pouco de força na era das plataformas modulares.
Por fim, há os casos em que os produtos mudam completamente de perfil e, a fim de criar uma “força inicial” já no lançamento do modelo, as marcas adotam nomenclaturas que já não fazem muito sentido. No Brasil, temos o exemplo do Eclipse Cross, SUV que em nada combina com o cupê Eclipse vendido pela Mitsubishi por aqui no passado, em duas gerações diferentes. A solução se tornou mais comum entre os elétricos, como no caso do Renault Mégane europeu.
Dentre tantos outros exemplos, que o estimado leitor pode também nos ajudar a recordar e citar, fica a pergunta: há, então, uma crise de identidade para nomear um carro hoje?


