Entusiastas em geral gostam de carros “quadradões”. Não todo tipo de carro, mas certamente dos mais famosos. Dificilmente, alguém que curta tanto os veículos de quatro rodas vai torcer o nariz para Jeep Wrangler, Land Rover Defender ou Mercedes-Benz Classe G: será fã de ao menos um, se não for de todos eles.
O passado espartano, valente e robusto construiu a imagem do trio, que em alguns momentos da história teve preço relativamente acessível. Atualmente, são produtos de maior valor agregado, distantes para a maior parte da população, especialmente em países emergentes como o Brasil.
Observando o mercado, as fabricantes chinesas passaram décadas utilizando tecnologias das grandes montadoras, como exigia o governo local com a formação das joint-ventures por lá, e se “inspirando” no design de alguns produtos de sucesso para criarem os seus. Sempre atentas, observaram uma carência por veículos com esta característica estética, definida em inglês como “boxy”, algo que poderia ser traduzido livremente como “caixote”.
Se as gigantes não enxergaram o nicho ou simplesmente o ignoraram, não sabemos. Porém, está cada vez mais claro que os asiáticos querem explorar bastante este ramo. Justiça seja feita, o Jeep Renegade talvez seja o único representante, neste sentido, dentro das maiores fabricantes do mundo, mas se inspira em um clássico dentro de sua própria marca.
Quem acompanha o mercado global há mais tempo, já havia notado esta maior oferta, mas a invasão chinesa ao Brasil deixou o movimento mais explícito. A próxima novidade em solo tupiniquim – ao menos, confirmada até que este texto fosse publicado – vem da BAIC (Beijing Auto), que sequer desembarcou de fato por aqui: o estreante Arcfox T1, um crossover elétrico que mira em BYD Dolphin Mini e Geely EX2, chega às lojas em 11 de novembro.

A BAIC já garantiu a vinda do quadrado B30 ao Brasil. Com porte de Jeep Commander e propulsão híbrida, ele tem linhas que remetem ao Ford Bronco (não o Sport, vendido por aqui), outro “queridinho” dos que gostam dos caixotes. Depois dele, virá o B60, que de alguns ângulos lembra outro “quadradão” famoso, o Toyota Land Cruiser.
Antes dela, como observamos nas ruas, suas compatriotas trouxeram outras opções com estilos similares. A GWM foi pioneira neste sentido, com o Tank 300, lançado em abril de 2025 e focado no uso off-road. Em setembro mesmo ano, apresentou o Haval H9 para enfrentar Toyota SW4 e similares.
Há poucas semanas, anunciou o Haval H7, que estreia o sistema híbrido plug-in (PHEV) flex da marca chinesa. Cada qual com proposta, motorização e preço específicos, mas uma filosofia estética bastante parecida. Lá fora, ainda há o H3 (também conhecido como “Cool Dog”), que bebe da mesma fonte, mas não tem vinda garantida ao Brasil.
Em novembro do ano passado, a Denza, divisão premium da BYD, fez sua estreia por aqui com o B5, aproveitando-se do hype em torno dos quadradões. Em janeiro, foi a vez da Jetour, subsidiária da Chery, expandir sua gama nacional com T1 e T2. Apesar de terem propostas diferentes, ambos adotam a mesma linguagem estética, com alterações visuais leves, mas que novamente remetem aos clássicos citados acima.
Além do que já temos à disposição nas lojas, há mais por vir. A Chery, por exemplo, já confirmou o desembarque das divisões iCaur e Freelander. A primeira tem SUVs quadradões como padrão na gama, enquanto a segunda tem linhas que remetem ao Land Rover homônimo, em um pacote mais moderno. A BYD já sinalizou a vinda do luxuoso Yangwang U8, que ganhou fama ao mostrar sua aptidão por superar terrenos alagados.
Além dos confirmados/dados como certo, há os que já existem na China e podem vir em um segundo momento. Fora desta “categoria”, a Geely conta com o Galaxy Cruiser 700 em seu país de origem, além do pequeno Panda Knight. A Baojun, que empresta o Yep Plus para a Chevolet comercializar no Brasil como Spark, oferece o três-portas Yep. Também, existem modelos que sequer sonham em pisar aqui, como Rox Adamas e Deepal G318.
Reforço: não se trata de uma crítica, apenas de uma constatação. Mas é curioso notar há uma oferta grande de modelos com características tão parecidas (faróis elípticos, unidos ou não; dois volumes bem definidos; lanternas verticais; tampa do porta-malas com estepe e abertura lateral) que se cria uma certa confusão para identifica-los. Ao olhar apenas o perfil lateral ou de frente/traseira sem logotipos e emblemas, você seria capaz de nomear todos?

![[COLUNA] - Um quadradão pra chamar de seu](https://images.autoreporter.news/artigos/freelander-8-1793395845026.jpg)
