Sou um admirador confesso das minivans. Elas são, em geral, espaçosas, confortáveis, repletas de equipamentos e mimos e, muitas vezes, entregam bom desempenho – ainda que a experiência ao dirigir não seja o foco. Por outro lado, como moramos no Brasil, as opções são escassas e, afora opções de cunho popular (Chevrolet Spin/Citroën Aircross) ou focadas em frotistas, caras.
Infelizmente, foi-se o tempo das variações europeias de carros médios, como:
Chevrolet Zafira
Citroën Xsara/C4 Picasso
Renault (Grand) Scénic.
No degrau acima, restou a Kia Carnival: após a Town&Country a Chrysler não se animou em nos oferecer a Pacifica/Voyager. Mas há um movimento aparente para que este segmento volte a contar com representantes muito em breve, o que poderia indicar uma demanda reprimida.
O primeiro passo foi dado por um competidor um tanto inesperado: a Mercedes-Benz. A empresa anunciou a importação oficial do Classe V, o irmão rico do Vito, utilitário voltado ao trabalho, que fora montado na Argentina por dois anos e descontinuado pela baixa procura.
O modelo não chega a ser bem uma minivan como esperamos, mas, com seus sete lugares, almeja conquistar parte do público órfão da categoria. Na versão mais cara, com os assentos das duas fileiras traseiras podendo ser remanejados à necessidade do motorista naquele momento: há trilhos e possibilidade de remoção da terceira fila. Na versão mais cara, os passageiros centrais dispõem de bancos (giratórios) com massagem, apoio para os pés e carregador por indução individual.

A modularidade e a quantidade de mimos cobram seu preço: com sistema híbrido leve (MHEV), motor 2.0 turbo a gasolina e 231 cv, o Classe V é tabelado a partir de R$ 729.900. Seu concorrente direto (e único) é o Kia Carnival, com sistema híbrido pleno (HEV), 1.6 turbo e 245 cv combinados. Na última consulta que fiz, o valor sugerido era de R$ 684.990. Bem, “barato” não é um adjetivo que pode ser ligado a elas.

Minivans: movimento apenas de aparência
Contudo, falei, no início, sobre o “movimento aparente” que renderá “representantes”. Ou seja, ao menos nos bastidores, há mais opções previstas para chegarem ao Brasil em breve. Sim, você acertou: as próximas minivans aguardas têm origem chinesa. Claro, provavelmente já fui “xingado” por ter “esquecido” o GAC Aion Y no começo do texto, mas me deixe explicar: quero focar, aqui, nos modelos de seis/sete lugares. Reconheço os predicados da minivan asiática, sem dúvida, e simpatizo com seu estilo exótico. Bom, se não fui xingado antes, após a última frase eu provavelmente serei.
Seguindo adiante, a mais próxima de chegar às ruas é a D9. Produzida pela Denza, divisão premium da BYD que nasceu de uma aliança com a Mercedes-Benz, ela já é exibida oficialmente em canais de comunicação da montadora e seus concessionários. Em seu site, a empresa revela que a minivan terá propulsão elétrica (um motor para cada eixo, com 557 cv totais) e espaço para até sete passageiros.
O configurador indica três cores externas (cinza, azul e preto) e três opções internas (preto, marrom ou preto com bege), embora nem todas possam ser selecionadas no menu. O preço indicado: R$ 750.000. Por ora, não se fala em data de lançamento, mas a promessa, anteriormente, era de iniciar suas vendas ainda em 2026.
Outro modelo dado como certo é a Dream, um dos três produtos que a Voyah, subsidiária premium da Dongfeng (DFM), pretende comercializar por aqui. A gama seria semelhante à que é oferecida em Portugal, por exemplo. Na terrinha, ela extrai 435 cv também de dois propulsores elétricos e dispõe de sete assentos. Há variação híbrida na China, contudo é provável que a marca vá apostar em motorização a bateria, aproveitando-se da demanda do mercado. É pouco provável, desta forma, que seus preços fujam do que a concorrência pratica.
Já tive a oportunidade de alugar minivans e similares no exterior (Chrysler Pacifica/Town&Country, Ford Galaxy, Toyota ProAce) e o que mais me agrada é ter espaço para tudo e todos, sem comprometer conforto e acabamento. Em geral, o desempenho é bom, especialmente nos EUA, onde os V6 impulsionam as “soccer mom vans” (algo que pode ser traduzido como “carros de mãe buscar os filhos na escolinha”). Porém, a propulsão elétrica certamente deve dar continuidade a este alto rendimento, embora, como dito no início, o foco aqui não seja necessariamente a dirigibilidade.

Todos os demais parágrafos vieram para ressaltar um fato: a chegada de três opções, em poucos meses, em um segmento há anos representado por apenas um produto. Teríamos uma grande procura por tais modelos, mas que, por falta de “entrega do esperado”, os emplacamentos são escassos? Entre janeiro e agosto de 2026, a Carnival teve 169 unidades licenciadas, uma média mensal de 21 exemplares.
Estariam Mercedes, Denza e Voyah dispostas a disputar um público tão reduzido ou conseguiriam elas conquistar clientes de outras categorias? Pelo bem do mercado e por pensar que é sempre bom termos mais opções, torço para que aconteça o segundo cenário. A julgar pelo peso que tais decisões têm, acredito que as três tenham razões de sobra para apostar nisso também.


